Os povos do campo e sua linguagem

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O Brasil é um país diverso em tudo. Somos uma mistura de cores, culturas, saberes e linguagens. Somos também um país de preconceitos de variados aspectos e níveis.

O preconceito linguístico possui raízes fortes no Brasil e o campesinato vive essa realidade diante dos povos urbanos, que desconsidera fatores regionais dentre outros, que são de grande influência para a variação linguística nas comunidades rurais.

Entendemos que as variáveis sociais, sentimento de pertencimento, grau de escolaridade, ocupação, sexo, idade e estrato socioeconômico constituem influências na fala rural, cujo território linguístico é heterogêneo e peculiar às origens e cultura do campesinato. É necessário entender que o preconceito linguístico, assim como outro de qualquer ordem é um estereótipo que necessita ser desconstruído.

Neste sentido, é preciso levar em consideração que a língua portuguesa apresenta diversidade e complexos sistemas linguísticos e que não se deve valorizar uma variação em detrimento à outra, nem fazer depreciação, antes compreender que toda variedade está associada a fatores sociais, estilísticos e avaliativos.

A padronização da língua se inclina para a norma culta, esta sem dúvida é prestigiada, todavia não existe homogeneidade na fala do povo brasileiro, afinal nascemos de culturas portuguesas, indígenas, africanas e europeias, e de toda essa mistura, se forma o português brasileiro que possui peculiaridades regionais variantes no falar urbano, rural, bem como em diversas localidades por múltiplos fatores.

Destarte, constitui-se necessário que o ensino de Língua Portuguesa em sua práxis pedagógica a partir dos Parâmetros Curriculares Nacionais, levem em consideração a variação linguística no Brasil e correlacione a teoria com a prática no cotidiano do espaço escolar.

Ivanna Patrícia Araujo dos Santos

Licenciada em Letras Vernáculas e Especialista em Língua Portuguesa