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Defensora dos direitos das mulheres é condenada a 38 anos de prisão e 148 chibatadas no Irã, diz marido

TEERÃ E NOVA YORK - Detida há oito meses, uma famosa advogada que trabalha com direitos humanos no Irã foi condenada a 38 anos de prisão e 148 chibatadas, informou o seu marido. Agentes de segurança do país persa prenderam a advogada, Nasrin Sotoudeh, em sua casa em junho do ano passado, sem oferecer nenhuma explicação. Na época, Sotoudeh defendia mulheres que haviam sido detidas depois de remover seus hijabs, ou lenços que cobrem a cabeça, em protestos públicos.

Mantida na prisão Evin, em Teerã, Sotoudeh informou a sentença ao seu marido durante uma breve conversa telefônica, informou o Centro para os Direitos Humanos no Irã, grupo de monitoramento da sociedade civil sediado em Nova York, em um comunicado na segunda-feira. Em 2012, enquanto cumpria uma pena de prisão anterior, ela recebeu o prêmio em direitos humanos de maior prestígio da União Europeia, o Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento.

O seu marido, Reza Khandan, descreveu as sentenças em um post no Facebook na segunda-feira, dizendo que ela havia sido sentenciada a cinco anos de prisão em um caso e a uma pena de 33 anos em outro. Ela também foi condenada a receber 148 chicotadas, ele disse.

Um relatório do mesmo dia de uma agência de notícias financiada pelo Estado, a Agência de Notícias dos Estudantes Iranianos, citou um rigoroso juiz, Mohammad Moghiseh, dizendo que ele sentenciou Sotoudeh a um total de sete anos de prisão. A notícia mencionava duas acusações, uma de participação em uma assembleia ilegal e outra por conluio contra o Estado.

De acordo com o comunicado do Centro para os Direitos Humanos, no entanto, o primeiro caso em que Sotoudeh havia sido condenada parecia estar relacionado a um julgamento realizado à revelia em 2015. Seu marido disse ao centro que a advogada enfrentou pelo menos sete acusações no segundo caso, entre elas propaganda contra o Estado, perturbação da ordem e da paz públicas, comparecimento à corte sem lenço cobrindo os cabelos e incentivo à corrupção e à prostituição.

— Eu não sei quantos anos ela recebeu por cada uma das acusações, porque minha conversa com Nasrin durou apenas alguns minutos e não chegamos aos detalhes — disse Khandan.

Segundo ele, a maior sentença foi de 12 anos, pela acusação de incentivo à corrupção e à prostituição.

— Este veredicto mostra que dar declarações em nosso país vem com um preço tão alto que uma advogada pode ser condenada a 44 anos por isso — disse ele ao Centro. — Eu digo 44 anos porque em 2010 ela foi condenada a seis anos de prisão por acusações semelhantes. Esta sentença é injusta, ilógica e incomum.

Na condenação mais recente, Moghiseh aplicou a sentença máxima legal para cada uma das acusações, e acrescentou mais quatro anos à prisão, disse a Anistia Internacional em um comunicado de imprensa na segunda-feira.

Antonio Tajani, presidente do Parlamento Europeu, classificou a sentença de "totalmente ultrajante" na terça-feira e disse no Twitter que o Parlamento Europeu estava com Sotoudeh.

Jeremy Hunt, secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, também condenou a decisão no Twitter.

"Chocado ao ouvir relatos de que a defensora dos direitos das mulheres iranianas e advogada de direitos humanos Nasrin Sotoudeh foi condenada a anos de prisão e 148 chicotadas", escreveu ele. “Os direitos humanos devem ser defendidos, não processados”, acrescentou ele.
Sotoudeh não foi a única pessoa de sua família a ser condenada à prisão este ano. Khandan, o seu marido, foi condenado a seis anos em janeiro por postar atualizações sobre o caso de sua mulher no Facebook, mas ele ainda não foi preso por essa acusação, disse  Hadi Ghaemi,  diretor executivo do Centro de Direitos Humanos no Irã, cuja sede é em Nova York.

 


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