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Baiano faz seguro de carro, mas não paga

Por Rayllanna Lima

A crise socioeconômica e o aumento do desemprego não impactaram nas vendas de seguros automotivos, que, de acordo com entidades do setor, continuam a crescer. O que afeta negativamente o segmento dos seguros é o alto índice de inadimplência. Atualmente, cerca de 50% dos motoristas na Bahia não estão com o seguro automotivo em dias. 

De acordo com o diretor do Sindicato das Seguradoras da Bahia, de Sergipe e de Tocantins (SindSeg BA/SE/TO), Nelson Uzêda, para cada dez assegurados, cinco deixaram de efetuar o pagamento no Estado.  

“A procura no setor de automóveis é sempre crescente. As concessionárias e montadoras já propiciam o consumidor a adquirir seu veículo com o seguro. Eu não vejo nenhuma situação em que tivemos alguma queda na procura. O que tem aumentado é a inadimplência, que tem se mostrado como nunca se comportou antes”, disse em entrevista à Tribuna da Bahia. 

Em sua análise, o aumento de devedores é decorrente do alto índice de desemprego. Pessoas que antes pagavam religiosamente o serviço, nos dias atuais têm abdicado do pagamento do seguro. “O que pesa é a perda de renda. Você não pode deixar de pagar a luz, a água, a escola do filho. Aí deixa de pagar o seguro”, esclarece. 

Há mais de 40 anos trabalhando no segmento, Nelson Uzêda compartilha uma situação recorrente ao longo desses quatro décadas na profissão. “É impressionante. Quando se tem uma apólice bem feita, bem estrutura e paga, não acontece nada. No dia em que deixa de ter aquele seguro por algum motivo, você bate o carro. Se é plano de saúde, fica doente. Nunca vi o negócio desse”, revela. 

Preço

Uma recente pesquisa realizada pela TEx, empresa de tecnologia para corretoras e seguradoras, mostra que o brasileiro paga, em média, R$ 3.587 por ano em um seguro automotivo. O valor varia entre R$ 8,7 mil e R$ 3,9 mil a depender de cada região. A Bahia ocupa a 17ª posição do ranking de valores, com média R$ 3.632. 

O diretor do Sindicato das Seguradoras da Bahia explica que o valor tem uma variação gigantesca a depender da região e do perfil de cada assegurado. O endereço da residência, tipo de veículo e quantidade de pessoas que utilizam o automóvel são alguns dos aspectos analisados pelas seguradoras.  

Na capital baiana, moradores dos bairros de Brotas e Pituba, por exemplo, pagaram taxas mais altas do que os motoristas que residem em regiões como Nazaré e Barbalho. A alteração no preço se dá em função do índice de criminalidade de cada região. 

“O furto e o roubo são itens que preocupam, e, muitas vezes, fazem seguradoras deixarem de operar. Na região Fluminense, no Rio de Janeiro, algumas seguradoras não operam de forma alguma. Aqui na Bahia ainda não existe área restrita, mas essas áreas que sofrem alterações de taxas. Duas irmãs, com o mesmo veículo, do mesmo ano, com seguro da mesma seguradora, pagaram preços completamente diferentes a depender do bairro em que moram”, exemplifica Uzêda. 

Furto e roubo são, inclusive, uma das principais preocupações das seguradoras. “São itens que estão onerando muitos seguros. Eu diria o roubo acontece muito das 6h até as 18h. Já o furto, das 18h até as 6h da manhã. Não que à noite também não aconteça, mas a incidência maior são nesses horários”, afirma. 

Atenção na hora de escolher 

Facilitadores da cobertura para veículos automotivos, ou qualquer outro tipo de seguro, não são bem vistos pelo SindSeg. Conforme explica o diretor Nelson Uzêda, o assegurado que utilizar desses meios para proteção podem acabar tendo maiores dores de cabeça quando precisar acionar o seguro. A recomendação é buscar um corretor de seguros através do Sindicato de Corretores de Seguro da Bahia (Sincor-BA).

“Pode entrar no site [www.sincorbahia.com.br], lançar o nome da pessoa que se diz corretor e ver o registro lá. Se não tiver registrado, não recomendamos. Também não recomendamos em agências bancárias ou lojas de departamentos, porque ambos não receberam o treinamento da Escola Nacional de Seguros, que é a escola que forma corretores através de um curso. Caso contrário, o cliente não vai ter o respaldo das entidades que regulam a atividade do corredor, que é a Susep [Superintendência de Seguros Privados]”, alerta.Tribuna da Bahia


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