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Análise: Bélgica, mutante e mais madura, está pronta para ser campeã

Bélgica já venceu times fracos na Copa da Rússia – o Panamá e a Tunísia; já venceu com os reservas – a Inglaterra; já venceu virando no último minuto – contra o Japão; já venceu o time que tratava como o melhor do torneio – o Brasil. Invicta há quase dois anos, o que a Bélgica mais tem feito é vencer. Depois de eliminar a seleção brasileira, ela chega às semifinais como favorita, pronta para ser campeã.
Restam poucos traços de desconfiança sobre a Bélgica. Eles eram compreensíveis: o time supertalentoso que transformava expectativa em frustração, a ponto de cair para País de Gales na Eurocopa; o time sem camisa, sem títulos; o time ingênuo defensivamente.

Mas a Bélgica cresceu. Amadureceu. Contra o Japão, esteve a um passo da eliminação. E mostrou capacidade de reação – renascendo em um jogo que parecia perdido.
Veio o Brasil, e aí a seleção belga teve sua melhor atuação na Copa – naquela que talvez seja a partida mais importante de sua história: surpreendeu com variação tática, soube ser letal e depois conseguiu se virar na defesa. Venceu uma partida que classificava como determinante para o futuro desta geração. Venceu o adversário a quem tratava, antes e depois do jogo, como melhor time do Mundial da Rússia.

O técnico Roberto Martínez e alguns de seus jogadores se mostraram orgulhosos do encaixe tático contra o Brasil. Foi arriscado – e, de fato, deu certo, a ponto de De Bruyne dizer que os adversários não sabiam o que fazer em campo. A mutação na Bélgica, comparada com os outros jogos, consistiu no seguinte, resumindo:
 

Passagem do 3-4-2-1 para o 4-4-2, com Meunier mais defensivo pela direita, e o zagueiro Vertonghen transformado em lateral pela esquerda
Entrada de Fellaini (1,94m) para fazer parceria a Witsel (1,86m) no sistema de proteção do meio-campo, deixando o time mais alto e mais encorpado no setor, reforçando a marcação sobre Neymar e Marcelo, e sacrificando Mertens (1,69m)
Liberdade a De Bruyne, avançando para uma função ofensiva, como falso 9, solto para flutuar pelo meio do campo, combinando jogadas com Hazard e com o centroavante Lukaku, surpreendentemente deslocado para o lado direito do campo
Entrada de Chadli no lugar de Carrasco no flanco esquerdo, a fim de dar consistência defensiva à equipe, dobrando a marcação com Vertonghen

Deu certo. E a tendência é que continue assim nas semifinais. A Bélgica, que já tinha uma forma de jogar contra equipes piores do que ela, mostrou que sabe enfrentar adversários do mesmo nível – ou superiores.

É o caso da França. Das equipes sobreviventes na Copa do Mundo, os franceses são os que parecem mais prontos para encarar a Bélgica. Eles têm uma defesa forte, superior à belga (como demonstraram ao longo da primeira fase e contra o Uruguai, depois de bobeadas diante da Argentina); e também têm peças ofensivas interessantes, especialmente Mbappé. Mas o encaixe ofensivo da Bélgica é um trunfo que os franceses ainda não têm.

Para a Bélgica, o desafio do momento é não permitir a Mbappé os espaços dados para Japão e, em menor volume, Brasil. Os belgas têm buracos a serem tapados. E Roberto Martínez ainda terá que arranjar um substituto para o ala direito Meunier, suspenso.
Mas se reinventar não parece um problema para esse time, como mostrou o jogo contra o Brasil. E como mostram os números. São quase dois anos de invencibilidade; são 24 jogos sem perder, com 19 vitórias e cinco empates; são 14 gols marcados na Rússia, o melhor ataque da Copa; são, em média, três gols por jogo desde que Martínez assumiu a equipe, depois da Euro de 2016.
É a segunda Copa do Mundo desta geração, a melhor que a Bélgica já teve, e ela aprendeu com o passado. Mutante e amadurecida, está pronta para ser campeã – e dois jogos, uma imensidão, distante disso.Globo


 


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