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Com chuva e preços mais caros, produtos juninos ainda não conquistaram os clientes

O licor veio de Cruz das Almas, no Recôncavo baiano. Tem de jenipapo, de jabuticaba, tamarindo, limão e maracujá. Mesmo assim, nada tem parecido atrair os clientes para a Feira de São Joaquim nos últimos dias. Tanto lá quanto na Feira das Sete Portas, uma resposta parece ser comum à maioria dos feirantes que trabalham com produtos típicos do São João: as vendas andam devagar.

“Essa semana estava vendendo dois, três, por dia, no máximo. Ano passado, já vendia 12, 15. Depois do dia 12, a gente começa a vender até 30, 40 por dia”, conta o feirante Jackson Pereira, 60 anos, referindo-se às garrafas de um litro – cada uma por R$ 10. Neste sábado (2), até que houve um momento de melhora em São Joaquim: um único cliente comprou uma caixa com 15. O problema é que, depois, o ritmo voltou a diminuir. Mesmo assim, ele é otimista. “Acredito em que em oito a 15 dias, a situação fique normal. Pelo menos lá pelo dia 10, deve melhorar, porque já é perto de Santo Antônio e muita gente só recebe (salário) depois do quinto dia útil”, opina.
As justificativas variavam. A maioria dos feirantes aponta a greve dos caminhoneiros, que atrasou a chegada dos produtos e fez com que alguns fornecedores perdessem cargas inteiras, como uma das responsáveis pelas vendas reduzidas. 

O feirante Nivaldo Brandão, 44, colocou cerca de 300 espigas de milho para vender na última quinta-feira (31), mas, desde então, praticamente nada saiu. A essa altura, no ano passado, o comércio do milho já andava bem mais satisfeito. 

“Acho que a greve influenciou muito, porque a gente acabou comprando o milho mais caro. Esse ano, estou tendo que vender a unidade por R$ 1,50, enquanto no ano passado uma saía por R$ 0,50. Mas daqui até o São João deve melhor porque deve vir com o preço melhor”. 

A mesma coisa aconteceu com as laranjas. Durante a greve, um saco com 120 unidades estava saindo por até R$ 50. “Agora, está por R$ 20, mas é a mesma laranja. A gente teve que comprar mais barato e estamos vendendo mais barato porque não tem jeito. É só para não perder mesmo. O jenipapo que o pessoal tá comprando melhor para fazer licor”. Ele estava vendendo 100 jenipapos por R$ 40.  

Expectativas altas 
Os cocos do feirante Romilson Santos, 30, até que estavam vendendo bem – mas no ritmo normal da feira. Nos dias de greve, vendia, no máximo, 30 exemplares da fruta, cujos preços variam de R$ 3 a R$ 5 a depender do tamanho. Agora, já chega a vender 60 diariamente. 

“Mas acho que o pessoal ainda não está comprando para as festas de São João. Acho que estão comprando para se alimentar mesmo”, diz ele. As expectativas de Romilson, que trabalha em São Joaquim há 10 anos, são altas: ele espera vender três mil cocos entre os dias 10 e 23. Ou seja, mais de 214 cocos por dia. “Ano passado também começou devagar, mas do dia 10 em diante, foi muito bom”. 

Durante quase duas horas em que o CORREIO conversou com os feirantes, a reportagem só encontrou um cliente que tivesse levado, de fato, algum produto típico junino para casa. Foi o professor Valdomir Passos, 64, que levou um coco ralado. 

Ele planejava fazer uma canjica, mas o prato típico ainda não vai ser para os festejos oficiais. “Já é uma comida típica, mas, para o São João, só compro mesmo na antevéspera, porque gosto da mercadoria mais fresca”, explica. 

Quem também anda esperançosa é a feirante Luciene Ferreira, 42. Na sexta-feira (1), ela montou, ao lado da banquinha onde vende grãos, dendê e leite de coco, uma mesinha com fogos de artifício. Enquanto o leite de coco e o amendoim seco estavam no mesmo ritmo, Luciene acredita que os fogos – destinados, principalmente, às crianças – vão decolar mais rápido. 


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