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Jéssica Senra critica busca da TV por 'rosto bonito': 'Acham que mulher está ali pra ilustrar'

Acordar às 2h da madrugada, fazer exercícios físicos, ler e se preparar para ir ao ar. Esse é o começo da rotina de Jéssica Senra, apresentadora líder de audiência entre os jornais locais no horário da manhã. Ela, que se diz apaixonada pela profissão, assegura que escolheu a área “para fazer diferença na vida das pessoas”. Seja no comando do Bahia no Ar, na Record, ou nos bastidores, Jéssica defende que se posicionar é necessário para causar reflexões: “Eu sempre fui de dizer o que eu penso, desde criança. [...] É assim que a gente provoca o outro”. Entre as opiniões da jornalista, que faz questão de ser lembrada pelo talento ao invés de pela beleza, o feminismo tem lugar garantido. “O que a gente precisa é que as pessoas entendam o que é o feminismo. Ele não é o oposto do machismo.

 O que o feminismo propõe é que homens e mulheres estejam no mesmo patamar de importância”, pontuou. Na sua área de atuação, a mídia, Jéssica afirma que os desafios de ser mulher ainda estão cercados pelo estereótipo do “rostinho bonito”. “Às  vezes você não tem tanto respeito porque acham que você está ali apenas para ilustrar. [...] Nós precisamos mostrar conteúdo, e normalmente mais conteúdo do que os nossos colegas do sexo masculino”. Confira abaixo a entrevista que, entre risos e momentos sérios, passeou por temas que envolveram sua carreira, vida pessoal e a representatividade do Dia Internacional da Mulher:Por que você optou por cursar Jornalismo?

Eu acho que o Jornalismo me escolheu. É meio clichê dizer isso, mas é verdade. Mas basicamente eu gosto do jornalismo porque eu sempre tive a vontade, que eu acho que muitos jornalistas têm, de mudar o mundo, de fazer alguma diferença. O jornalismo tem uma força muito grande. É o quinto poder. Então eu acho que é uma forma da gente provocar reflexões nas pessoas. Pode ser que eu esteja enganada e que a gente não consiga realmente mudar o mundo, mas a gente consegue ir tocando as pessoas com nossas palavras, com nossas informações. Principalmente foi isso: o desejo de mudar o mundo. Sempre tive a comunicação dentro de mim, mas a minha primeira opção não foi Jornalismo. Eu tinha pensado em Medicina e em Direito. Porque também nós somos múltiplos né? Nós somos impulsionados a escolher uma profissão, ter apenas um ofício, se especializar nisso. Temos tantas possibilidades, tantos talentos, tantos caminhos que a gente pode seguir. E eu acho que o Jornalismo foi isso, pela empatia e vontade de fazer a diferença.

Você tem alguma inspiração ou ídolo no Jornalismo?
Diversos. Mas eu acho que meu ídolo, o maior aqui no Brasil, se chama Ricardo Boechat. Eu acho que é um jornalista sempre muito bem informado e não tem medo de colocar suas opiniões. A gente tem poucas figuras de âncoras, âncoras verdadeiras. Nós temos apresentadores, comentaristas. Mas âncoras do jeito que eu entendo, que sabem muito bem do que estão falando. [...] Ricardo Boechat é sem dúvidas um grande comunicador, pra mim é minha inspiração. E para citar alguém da minha emissora, eu acho que Raimundo Varela é uma grande referência pro jornalismo da Bahia. É também um cara que está aí há 40 anos fazendo um jornalismo popular, lançou o "Balanço Geral", que hoje é sucesso no Brasil todo. Então é um cara que eu admiro muito. Tem uma história, tem uma forma de falar que eu acho que ninguém tem. Consegue conversar com a pessoa mais letrada e com a pessoa mais simples. Então eles são para mim duas referências no jornalismo. Poxa, eu não citei nenhuma mulher né, menino? [entre risos, ela diz que irá pensar em alguma até o final da entrevista].

 

O que você acha das formas de se fazer jornalismo atualmente? Você percebe algum problema?
Inúmeros. O jornalismo é um contar a realidade, e a gente está passando por um momento de transformação muito grande, então o jornalismo também está passando por essa transformação. Nós estamos tendo uma mudança de era. Se você parar para pensar que na nossa história nós tivemos a Era Agrícola, Industrial e hoje nós vivemos a Era da Informação. [...] Estamos dando um salto absurdo. Então o jornalismo, se está acompanhando isso, porque é quem conta o que está acontecendo na sociedade, também precisa passar por essas mudanças. Temos mudanças nos meios de transmissão, que antes era analógica e hoje praticamente temos todas as TVs digitais. A gente tem a internet muito presente, e outros meios como as redes sociais, que acabam também fazendo um pouco do papel de contar a realidade. Talvez não como o jornalismo, mas conta uma realidade também. Tem muitas coisas que realmente não prestam, tem muitas coisas que são muito boas. Porque é da sociedade, né? Tem coisas boas, tem coisas ruins. Mas, sobretudo, eu sinto que o jornalismo tradicional, de jornais, rádio e televisão, precisa prestar mais atenção no que está acontecendo de fato na sociedade. A gente sempre teve muito medo da internet, declaramos que os jornais iriam morrer. Hoje já se fala que a TV vai morrer, e realmente a tendência é que desapareça ou que se transforme em outras coisas. Mas a internet ainda traz grandes discussões que a grande mídia ainda não presta atenção. [...] Precisamos prestar atenção em todas as mudanças sociais e deixar de viver nesse sistema analógico, anterior, da era industrial, e pensar na era da informação, na era tecnológica nos dias de hoje, na modernidade.Você se vê como uma pessoa carismática?
Eu acho que para estar na televisão e para conseguir conectar com o público, a gente tem que ter o carisma, né? Mas eu acho engraçado que, uma vez, uma colega me disse que eu teria um trabalho muito difícil na televisão porque eu não sou nada carismática. Foi uma colega de faculdade e de trabalho. Não vou dar nomes [risos]. Ela me conhece muito profundamente, talvez ela conheça certos lados meus que ninguém conhece. Uma das maiores armas que eu tenho é a possibilidade de me conectar com o meu público, me colocar no lugar do outro, tentar imaginar o que é, fazer comparações com outros momentos que eu vivi para me conectar. É dessa forma que a gente se conecta, mais até do que pelo carisma, pela empatia. 

Durante algum tempo, surgiram notícias de que você poderia ir para uma emissora concorrente ou ir para um programa em nível nacional. Você cogita alguma dessas possibilidades?
As notícias e o mercado têm uma tendência a estar se movimentando, e para mim é muito interessante que as pessoas lembrem-se de mim nas faculdades, em outros meios de comunicação, e até na própria Record Nacional. Mas a decisão da Record foi me manter aqui, porque eles entenderam que eu era uma peça fundamental para a Bahia. E, de fato, eu sinto que a partir da liderança do BA no Ar, que somos líderes há dois anos (não significa que isso não possa mudar, óbvio, é uma luta todos os dias), a gente foi fazendo com que mais pessoas conhecessem a Record, e eu sinto que isso foi colaborando para que outros jornais passassem a conquistar também grandes audiências e lideranças, não só no BA no Ar. [...] Então eu acho que estrategicamente foi importante para a Record me manter por aqui. Sempre me trataram muito bem, sempre foi uma emissora que me deu muita liberdade para eu dizer o que penso e para trabalhar. Então eu não vejo por que não estar na Record. Eu não faço muitos planos, eu nunca sonhei com assumir uma bancada nacional. Se viesse a proposta, eu poderia pensar sobre isso. Mas eu sou muito feliz com o que eu faço. Eu construí um jornal local com a minha cara, que eu tenho orgulho de fazer. Quando eu entrei na Record, o jornalismo popular tinha um rótulo muito negativo. Ainda hoje as pessoas fazem associação negativa com o jornalismo popular. Sempre foi visto como algo sensacionalista, apelativo, como algo que estava ali no limite da ética. E ter construído um jornal popular que entende quais são os problemas da população de forma respeitosa foi uma conquista muito importante. Mas, para mim, eu já fico feliz com o que a gente conquistou. 

 

Mas se existissem dois botões, sendo um deles para assumir a bancada nacional do Fala Brasil e o outro para continuar na TV Itapoan, qual você apertaria?
Depende da proposta, de como são as conversas. Eu sou funcionária da Record, se ela precisar de mim, a gente ajusta o que for mais interessante para a emissora. Havendo as duas possibilidades e sendo uma escolha minha, e o Fala Brasil tiver possibilidade para mais comentários, talvez seria sim uma boa chance. Mas eu teria que conversar com meu marido, porque hoje eu sou uma mulher casada. Quando a gente se casa, precisamos tomar as decisões em conjunto, tanto as minhas quanto as dele. Primeiro tem que botar os dois botões, aí eu te digo qual é o que eu aperto [risos].

Então foi o caráter opinativo que fez você se apaixonar pelo programa?
Minha escola é o rádio. E na rádio onde eu trabalhei, sempre foi uma marca forte a coisa da opinião. Eu sempre fui de dizer o que eu penso, desde criança. Encontrei um espaço que eu posso dizer o que eu penso, que eu não estou ali apenas lendo o TP [teleprompter] nessa imparcialidade utópica do jornalismo, que não existe nem quando você faz a reportagem. A gente sai da utopia e vai para a realidade que é. Temos sim pensamentos e opiniões sobre certos assuntos. Eu deixo muito claro no jornal que é o que eu penso apenas, não significa que eu seja dona da verdade. É o que minha formação me leva a pensar. Tem muita gente que acaba se identificando e tem gente que discorda. Não tem problema discordar. A opinião contrária nos faz crescer também. A possibilidade de opinar, de dizer o que eu penso, para mim é uma das coisas mais importantes. É assim que a gente provoca o outro. Se eu disser: "olha, um carro bateu aqui agora e o pai estava sem cinto etc.", eu dei uma notícia que é importante que as pessoas se informem. Mas quando elas vão pensar sobre isso? É quando a gente vier provocando, fazendo perguntas e dando opinião mesmo. É aí que nós pensamos e talvez consigamos transformar nossa realidade e nossas atitudes. 

Uma vez você tinha dito que nem dormiu à noite quando foi apresentar o Fala Brasil. Você ainda se sente nervosa quando está à frente das câmeras?
Menino, eu sou um ser humano, eu fico nervosa [risos]. Geralmente com o que é desconhecido, quando a gente não sabe o que vai fazer. Eu nunca tinha pisado o pé em uma redação de São Paulo, eu nunca tinha estado em uma bancada nacional, seria minha primeira vez com Roberta Piza, a titular do jornal. Eu tive pesadelos de que eu estava perdendo o horário. Então sim, me dá frio na barriga. Outro dia eu fui dar uma aula para um curso de oratória e também fiquei nervosa. "Poxa, será que os alunos vão gostar de mim?". Era uma coisa totalmente nova. Óbvio que quando eu apresento o BA no Ar eu não sinto mais frio na barriga, eu já tenho muito domínio do meu estúdio, dos meus colegas, dos meus assuntos, do que eu vou tratar. Então eu já tenho mais tranqüilidade para trabalhar. Mas não significa que não vai ser um desafio. [...] Todo dia é um jornal diferente e acho que por isso o jornalismo é tão apaixonante.

Como é ser mulher e trabalhar na mídia?
Eu entendo que ser mulher e trabalhar na mídia é a mesma coisa que ser mulher e trabalhar em qualquer outra área no Brasil. Ainda hoje vivemos muitos preconceitos, ainda há muita luta em relação às mulheres. Há pouco tempo a mulher começou a ocupar espaços no mercado de trabalho. Então ela ainda está desbravando o trabalhar fora de casa. Fazer o tipo de trabalho que eu faço, que antigamente era feito por homens, é um desafio. A nossa tendência é fazer o que todo mundo faz, e quando eu entrei e percebi que não era o modo que eu queria fazer, eu precisei encontrar uma nova linguagem. É um desafio ser mulher no mercado de trabalho, e na mídia, porque a imagem da mulher ainda é hipersexualizada. A mulher ainda é vista como algo belo para ser apreciado, então muitas mulheres que aparecem na mídia são como figuras belas. Mesmo quando você quer fazer jornalismo [na TV], a beleza física ainda é um pré-requisito. A gente tem esses desafios, porque ás vezes você não tem tanto respeito porque acham que você está ali apenas para ilustrar. Aquela velha história de não ser mais um rostinho bonito na TV. Nós precisamos mostrar conteúdo, e normalmente mais conteúdo do que os nossos colegas do sexo masculino. Nós precisamos ser melhores do que eles para ter algum respeito, alguma visibilidade.

Em algumas das últimas notícias sobre você, os títulos começavam com “Ex-modelo...”. Isso te incomoda?
Me incomoda porque antes de eu ser modelo, eu sou muitas coisas. E eu não fui parar na TV por ser modelo. "Era uma 'modelinha', trabalhava como modelo, aí envelheceu e resolveu apresentar algo na TV". Não, eu fui para o jornalismo por outras questões. Eu sempre tive sede de conhecimento, de ler, de emitir minha opinião. Isso me incomoda porque só reforça esses padrões de que mulher precisa ser bonita para ter algum valor. 

É cansativo ter que estar arrumada todos os dias para as câmeras?
Ás vezes enche o saco um pouquinho [risos]. Mas no fim das contas todas as mulheres querem estar arrumadas, mesmo as que não trabalham na frente das câmeras. Nós somos vaidosas por natureza e os homens também. A gente quer se sentir bem. Mas como todas as mulheres, tem dias que o cabelo não funciona, tem dias que a maquiagem não sai tão boa quanto a gente espera, mas é isso. São ossos do ofício. De vez em quando enche a paciência, sobretudo para tirar a maquiagem, que é um porre. Mulheres entenderão o que eu digo. 

Para você, qual a importância do Dia Internacional da Mulher?
Eu acho que todos esses dias, essas datas comemorativas, são datas para a gente pensar em determinados assuntos. Mas a gente pode ir para o velho clichê: o Dia da Mulher é todo dia. Não adianta chegar no dia 8 de março e dar flor para sua esposa ou para sua funcionária e nos outros dias ser desrespeitoso. A gente precisa de direitos iguais todos os dias do ano. Então o dia pode servir para que a gente levante algumas discussões. E provavelmente você vai ver na própria imprensa algumas reportagens sobre a mulher no mercado de trabalho, sobre a violência contra mulher, e vários assuntos que envolvem o sexo feminino. Mas a gente precisa ter essa luta todos os dias. Hoje mesmo eu dava uma reportagem sobre maternidades aqui em Salvador. As gestantes estão passando um aperto danado. Daqui a pouco vem prefeitura, governo, mandar mensagem de parabéns. Eu não quero parabéns, eu quero maternidade aqui para atender as mulheres poderem parir com dignidade. Então a gente precisa trabalhar essa hipocrisia do Dia da Mulher. [...] A gente precisa de igualdade de direito, de respeito, de salários iguais entre mulheres e homens, por exemplo. [...] Eu sou super feminista, se você deixar, eu vou entrar em muitas discussões. Meu marido diz que eu estou muito ativista nesse sentido, e que eu preciso segurar a onda de vez em quando.  

Você não faz questão de esconder em seus perfis nas redes sociais, e em falas, que você é feminista. Você já teve receio de que esses posicionamentos causassem impedimentos na sua carreira?
Não só na carreira, mas na vida social. É um assunto que, para muita gente, ainda traz medo. Mas o feminismo não é uma questão só das mulheres. O feminismo é uma questão social. Existem homens feministas, existem mulheres machistas. O que a gente precisa é que as pessoas entendam o que é o feminismo. Ele não é o oposto do machismo. O machismo é a ideia de que o homem é superior à mulher. Então quando a gente fala em feminismo, tem gente que acha que é o oposto. "Ah, porque a mulher é superior ao homem". O que o feminismo propõe é que homens e mulheres estejam no mesmo patamar de importância. Então a gente precisa entender o que é o feminismo. E, basicamente, quando a gente explica, muita gente concorda. Muitos homens escrevem para mim nas redes sociais dizendo "concordo inteiramente com você". Também tem aquele povo: "ah, todo homem é machista e toda mulher é feminista". Isso é absolutamente equivocado. Tem muitas mulheres que são extremamente machistas, que ainda esperam que um príncipe encantado chegue e lhes sustente para o resto da vida, que elas estejam ali para servir ao homem. Tem muita mulher que ainda tem esse pensamento [...] Eu estou agora em um projeto com minha irmã, ajudando-a. É um site que se chama "Papo Delas", feito por mulheres, para conversar com mulheres, mas não significa que homens não vão ser ouvidos e que não são convidados a participar. Toda a sociedade é chamada para participar e entender o que é o feminismo, que é essa igualdade de direitos. [...] Tem muito homem que, por exemplo, não consegue lidar com o fato de mulheres ganharem mais do que ele porque isso afeta sua masculinidade. Então quando a gente fala de feminismo, são mudanças para as mulheres e, sobretudo, para esse novo homem. Ele precisa entender qual é o seu papel dentro dessa sociedade, porque se o homem também não fizer essas mudanças, ele fica descolocado. O feminismo vem com uma proposta de conversarmos sobre a igualdade entre seres humanos. Então acaba colocando em discussão temas como o racismo, a opressão capitalista. A gente acaba discutindo toda a estrutura social, todo um sistema patriarcal, em prol do bem-estar de todos, de uma sociedade que seja mais colaborativa. [...] É uma luta que não tem volta. 

Voltando para a segunda questão, porque você acha que você encontrou dificuldade para pensar em uma mulher como inspiração?
Porque tem pouco tempo que as mulheres começaram a ocupar esse espaço na mídia. Eu não consegui pensar em uma aqui no Brasil, mas no exterior sim. Não só para o jornalismo, mas para a comunicação como um todo. Aí eu pensei porque não a citei antes: Oprah Winfrey, que tem uma história de vida absolutamente impressionante. [...] Aqui na Bahia, Rita Batista é uma das jornalistas que eu admiro muito, por exemplo. Mas eu não cresci vendo essas mulheres. Talvez essas mulheres que inspirem sejam talvez quem está junto comigo fazendo esse novo jornalismo.  

Há uns cinco anos, a Record fez uma homenagem para você, no dia do seu aniversário, e uma das coisas que chamaram atenção foi a quantidade de pessoas lhe desejando coisas boas. Como você faz para conciliar a carreira e as relações interpessoais?
A gente precisa dar conta porque são elas que realmente importam na vida. Eu escolhi o jornalismo para fazer diferença na vida das pessoas, então eu preciso saber que isso está acontecendo. Quando as pessoas me mandam mensagens nas redes sociais, me ajudam muito. Eu tento responder todo mundo que fala comigo, mesmo que seja um "bom dia", porque significa que as pessoas param um minuto do seu dia para entrar em contato comigo, e eu acho que é meu dever responder. Tem gente que se surpreende: "Ah, mas é você mesmo? A maioria das pessoas não faz isso". [...] Elas são minha razão de trabalhar. Eu não estou ali pelo sucesso e nunca tive pretensão de ser uma pessoa famosa. Meu objetivo com o jornalismo era estar envolvida com a comunicação. 

O que te atraiu para começar a estudar joias e fazê-las?
Nós somos múltiplos. Nós temos muitos talentos, temos muitas possibilidades. Às vezes a gente está focado, como eu sempre estive focada no jornalismo e não percebi tantas outras coisas interessantes que estão ao meu redor. Por exemplo, a Criminologia. [...] Eu tranquilamente estudaria Direito, Filosofia, Letras... E as joias eu não sei, acho que como o jornalismo, elas vieram até mim. Eu estava procurando um curso de verão, há dois anos, e eu ia viajar para visitar minha família em Barcelona. Aí eu falei: "poxa, eu podia aproveitar as férias para estudar". E entre as opções de curso tinha design de joias, e eu pensei que podia ser interessante. Acho que foi daí. Quando eu fiz o curso eu me encantei. Esse anel fui eu que fiz, esse pingente também foi minha criação [fala enquanto mostra as peças que confeccionou]. É um momento de desacelerar. 

Se você quisesse me contar um segredo, qual seria?
Você me pegou de surpresa, viu? [risos]. Eu estou pensando em transformar esse hobby, que é a joalheria, em algo profissional. Tem algumas pessoas perguntando: "Você vende? Eu quero. Quanto custa?". Ainda não me decidi, porque empreender no Brasil ainda é assustador. Mas, eu tenho pensado em lançar uma coleção, e ver se tenho um futuro nessa área também, ou não. Bahia Noticias


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