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"Não adaptados Daniel Dórea": ..."dificuldade em expor opiniões contrárias sem ser ofensivo em demasia."

Por Daniel Dória

É óbvio que hoje não dá para falar sobre tática, tampouco algo em relação ao jogo em si. Mas também não vou partir para discurso piegas: ‘dia triste para o futebol baiano e blá-blá-blá’. Foi um vexame, muitos tiveram comportamento inadequado, mas a verdade é que confusão acontece em qualquer lugar, por diversos motivos. Tento aqui entender os que levaram à briga histórica do Ba-Vi de domingo.

Primeiro: essa coisa de forçar campanhas do tipo ‘clássico da paz’ me incomoda, não cola. Quem tem acompanhado as relações entre torcedores, jogadores e até mesmo entre diretorias de Bahia e Vitória sabe que não existe paz nenhuma. Pelo contrário, há um clima de animosidade como há muito não se via. Com o fim da ‘torcida única’, tricolores se movimentaram para reclamar das condições que encontram como visitantes no Barradão. Rubro-negros viram o protesto como uma afronta e as discussões chegaram a um nível pré-guerra.

Tudo isso se alastrou pelas redes sociais e é aí que começo a explicar o título desta coluna. Embora já bastante democráticas e acessíveis a grande parte da população, as redes sociais ainda não encontram um entendimento nosso de como utilizá-las devidamente. Há uma dificuldade enorme em tratar com naturalidade opiniões contrárias. Por outro lado, também existe séria dificuldade em expor opiniões contrárias sem ser ofensivo em demasia.

Por exemplo, logo após o jogo recebi a informação de que o meia tricolor Vinicius iria à delegacia para denunciar atletas rivais por agressão. Publiquei no Twitter e, em uma das respostas, um torcedor do Vitória – que é meu colega de profissão e já foi meu colega de empresa – me acusou de fazer assessoria de imprensa para o Bahia. Será que diria isso sem o ‘escudo’ da rede social?

E o próprio Vinicius, que durante a semana do Ba-Vi publicou no Instagram que iria ao “Barralixo”, com as “mães e irmãs delas”? Um comentário deplorável, com vários preconceitos e violências embutidos. Sinceramente, pouco tenho contra o ato de provocar. Apesar de maldoso, o “Barralixo” passa. O restante é uma ofensa à sociedade em geral, algo que ele certamente diria em uma conversa entre amigos, alguns pensariam “que idiota!”, outros ririam, e aquilo se apagaria. Nas redes sociais – às quais estamos, todos, ainda tentando nos adaptar – mesmo que o post logo tenha sido deletado, não se apaga.

Diretorias sabiam

As duas diretorias tinham conhecimento do ocorrido. A do Bahia errou em não tomar uma atitude, a exemplo de convencer o jogador a se retratar pela declaração, com uma referência homofóbica e outra que rebaixa a mulher a um pertence do homem. Tentou fingir que nada tinha acontecido, mas a estratégia não deu certo a partir do momento que Vinicius se tornou o pivô da polêmica no clássico.

Reparem, eu escrevi ‘pivô’, não ‘culpado’ ou aquele que ‘começou’ a briga. A dancinha após o gol foi até pudica em comparação com funks e pagodes. Depois, não houve gesto obsceno, como alguns consideraram, mas um palavrão usado em referência própria. Tudo isso em frente à torcida adversária, e em claro tom de provocação. Nada muito diferente do que faz sempre Cristiano Ronaldo quando marca. Compreensível a raiva dos rubro-negros, principalmente pelo post anterior? Sim. A violência absurda, principalmente de Kanu? Não. O Vitória estragou um jogo que tinha boa chance de vencer porque vários jogadores não conseguiram desprezar o até então ‘cara mais babaca’ dessa história toda. Kanu precisa ser excluído do campeonato. Edson também, pela agressão ridícula a Bryan, que aparentemente tinha pouco a ver com o assunto. Os demais merecem punição ‘normal’ por agressão. Vinicius não deveria nem ter sido expulso. O árbitro não pode considerar nos seus critérios disciplinares o que ocorre nas redes sociais.

Completo com o episódio do ‘abandono’ do jogo. É claro que Mancini pediu para Bruno tomar o segundo cartão amarelo e interromper a partida (em bom trabalho de reportagem, colegas viram movimentação também do supervisor rubro-negro Mário Silva em contato com atletas). Foi um papelão a entrevista moralista do técnico pedindo provas do que já estava nítido antes mesmo da leitura labial. Depois, o Vitória divulgou nota enaltecendo o fato de que “jamais fugiu à luta em qualquer competição na sua centenária história” – tem no currículo um triunfo em Ba-Vi mesmo com dois jogadores a menos desde o primeiro tempo, em 1992. No texto, pontuou que “não houve ordem ou orientação aos atletas por parte da direção”. Mancini não foi citado. Será demitido pela atitude?

Não esperem que eu vá aqui, no último parágrafo, pedir paz e atitudes mais sensatas. Até gostaria de ver um clássico mais bem jogado, mas entendo que o clima está adverso demais para isso, e não acredito numa melhora em curto prazo. Por sinal, já corre nos bastidores a informação de que a ‘torcida única’ poderia voltar, com concordância dos dois clubes.Inserçao de pós-título, Tvsaj. Matéria, Daniel Dória, A Tarde

 
 


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