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Precisamos falar sobre Jair Bolsonaro

Precisamos falar sobre Jair Bolsonaro. A afirmação parece o prelúdio de uma campanha publicitária do Ministério da Saúde contra uma doença. Sim, os casos envolvendo o deputado federal Jair Bolsonaro são uma chaga social brasileira. Segundo colocado nas pesquisas de opinião que medem os possíveis presidenciáveis em 2018, o agora filiado ao PSL está nas rodas de conversas das mais diversas classes sociais. Aparece como o grande defensor da moralidade, bastião da família tradicional brasileira e nome mais honrado para liderar o país a partir de 2019. Ledo engano. Bolsonaro é um ser que deveria provocar asco em qualquer cidadão com consciência do papel que possui na sociedade. Dois exemplos: Ao falar que a deputada Maria do Rosário não merecia ser estuprada, por ser “feia”, o parlamentar deveria ter sido alvo de ojeriza da maior parte da população.

Não aconteceu. No contexto em que Maria do Rosário representava a esquerda e a defesa dos Direitos Humanos (pasta da qual ela foi ministra), parcela expressiva da população achou que a declaração dele não foi nada demais. Ao dizer que bateria em dois homens que visse se beijando, Bolsonaro deveria ter sido criticado por desrespeitar minorias e por conclamar a homofobia. Não foi o que aconteceu. Para homofóbicos e integrantes de um tradicionalismo que não encontra amparo nas discussões modernas, ele se tornou um “mito”. É a formação do “Bolsomito” que deveria estar em discussão. São as razões para que uma figura nefasta, com ideias tão retrógradas ganhe espaço no processo democrático brasileiro. E não é uma questão de desrespeito ao grupo que pensa como ele. Os ideais dele deveriam até ser debatidos, porém num espaço de diversidade que o próprio parlamentar rechaça.

O que incomoda é que, num contexto de racionalidade mínima, não parece haver debate quando se trata do deputado federal por sete vezes cujo trabalho mais relevante foram declarações polêmicas. Bolsonaro é o tal do “mito” para os defensores dele. Na verdade, tudo é um jogo de cena feito por ele para uma plateia afeita por um conservadorismo cego – que prefere manter os próprios privilégios a aceitar que existem pessoas diferentes, grupos diferentes e que o respeito é um caminho melhor do que o radicalismo patético. Isso sem falar nos conceitos de macroeconomia ou mesmo de economia “defendidos” por ele.

Se houver alguma entrevista esclarecedora dele, com algum conteúdo diferente da retórica presunçosa que o acompanha, aceito indicações. Precisamos falar sobre Bolsonaro. Essa chaga começa a se espalhar, até mesmo pelo interior da Bahia. Basta cruzar cidades interioranas para ver dezenas de outdoors em uma campanha eleitoral antecipada travestida de apoio a um projeto de nação. Saibam, desde já, que esse projeto de nação não é o mesmo que o meu. Este texto integra o comentário desta segunda-feira (8) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Irecê Líder FM e Clube FM.Bahia Noticias


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