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Fãs fazem fila e lotam a Flica para ver a youtuber Jout Jout

O burburinho ansioso tomou conta da Igreja do Convento do Carmo horas antes da participação da youtuber fluminense Jout Jout na Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica), neste sábado (7). “Estou aqui desde 7h”, contou a estudante Vitória Moreira, 16 anos, que estava no primeiro lugar da fila de espera para garantir uma das 300 vagas da mesa mediada por Tia Má, personagem da jornalista baiana Maíra Azevedo.

Com o livro de Jout Jout nas mãos, Tá Todo Mundo Mal (Companhia das Letras), Vitória contou que saiu do município de São Miguel das Matas só para ver a youtuber e tentar um autógrafo. “Jout Jout me ajudou muito, porque nessa fase da adolescência a gente tem muitas dúvidas e ela ajuda a gente a se entender, a se aceitar, a compreender que ser diferente é a maior beleza. Ela quebra esses padrões”, justificou a estudante, que sempre acompanha o canal JoutJout Prazer.

Logo atrás de Vitória, a estudante Amanda Valéria, 20, de Cruz das Almas, concorda e completa: “Jout Jout me ajudou a superar vários traumas, me ajudou a me aceitar”. A amiga Maria Clara Daltro, 14, entrou no papo e reforçou a importância da youtuber em sua vida. “Falando de empoderamento e feminismo, ela me ajudou em relação à autoestima, me ajudou a aceitar meu corpo”, revelou.

O bom humor de Jout Jout foi destacado como um dos aspectos mais cativantes pela estudante Isadora Oliveira, 16, que saiu de Feira de Santana em esquema bate-volta só para ver a youtuber. “Gosto dela pelo humor, pela sinceridade, pela forma de tratar o feminismo como parte do cotidiano”, disse Isadora, que assistiu à mesa na primeira fila. “Na atualidade é muito difícil encontrar pessoas que falem de forma tão despojada sobre temas tão sérios”, completou a amiga Camila Mamona, 17.

Transformação
Durante a mesa Verbos Implacáveis, Surtos Criativos, Angústias Favoritas, que estava lotada, Jout Jout e Tia Má conversaram sobre temas como empoderamento, feminismo, racismo e autoconhecimento. “Passei a adolescência inteira tentando ser o que não era. Pensava: ‘A partir de agora, vou fazer unha toda semana, vou fazer hidratação no cabelo, usar roupas mais coloridas’, mas não conseguia manter, porque era muito indisciplinada e dava uma preguiça de ser o que não era”, revelou Jout Jout, 26 anos.

Provocada por Tia Má, a youtuber falou, ainda, sobre a emoção provocada por saber que seu trabalho tem o poder de transformar as pessoas. “Quando você faz vídeos, escreve livros e aquilo transforma a pessoa de alguma forma, é sinistro. Acho ótimo que eu tenha ganhado a vontade de vocês de se abrir pra mim. Isso é uma conexão muito sagrada”, agradeceu Jout Jout. “Quando encontro as pessoas na rua e elas falam ‘você me ajudou’, dá uns arrepios na espinha. Dá logo uns tremeliques”, completou arrancando risos.

Responsável por provocar Jout Jout com perguntas suas ou da platéia, Tia Má roubou a cena ao falar sobre racismo, solidão da mulher negra e cotas. “Sou completamente a favor das cotas raciais e das ações afirmativas, ainda que eu seja uma mulher negra privilegiada com o ensino privado”, ponderou Tia Má, enquanto acrescentava que reconhecer os privilégios é o primeiro passo para quem quer uma sociedade igualitária e justa. “Sou a favor de ações afirmativas para mulheres, gays, trans, para todas as pessoas que sofrem preconceito. É fundamental que a gente consiga dirimir as desigualdades”, completou.

Em Cachoeira apenas para ver a dupla em ação, a estudante de letras feirense Keysa Oliveira, 18, disse que esse encontro entre Jout Jout e Tia Má era fundamental. “Essa dupla é imbatível. São duas feministas. Essa mesa era necessária, porque vejo a necessidade da mulher ter voz mesmo, sabe? Porque com o passar do tempo, a gente acha que o machismo e o racismo estão acabando, mas estão só aumentando”, denunciou.Correio da Bahia

 


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