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"Sí, se puede": Monica Puig conquista primeiro ouro olímpico de Porto Rico

É clichê, batido, mas como definir o que Monica Puig fez na quadra central do Complexo de Tênis na noite deste sábado sem classificar como histórico? Ao bater a alemã Angelique Kerber na final do torneio feminino de simples no Rio de Janeiro, por 2 sets a 1 (parciais de 6/4, 4/6 e 6/1), ela conquistou o primeiro ouro olímpico de Porto Rico. Os gritos de "sí, se puede" (sim, é possível) mostraram o caminho para Monica, com muita coragem, desbancar mais uma favorita e levar a inédita medalha dourada para a ilha caribenha.

Contra a número 2 do mundo, Puig, 34 do ranking, precisou de 2h09 para acabar com uma espera de 68 anos. Eram seis bronzes e duas pratas até então. A busca de Porto Rico pelo ouro começou em 1948, na primeira participação da ilha em uma Olimpíada. Terminou neste 13 de julho de 2016, nas mãos de uma jovem de 22 anos que sonhava em dar um "pouco de alegria para um povo cheio de notícias ruins". Deu a glória máxima do esporte, deu um motivo de orgulho. Deu uma nova heroína nacional.

- É maravilhoso. Eu sei que meu país aprecia isso e eu queria dar essa vitória para eles. E a forma que fiz isso essa noite, não poderia ter sido melhor. Queria melhorar a cada partida, a cada uma fui melhor e melhor, mais forte, acreditando mais em mim, tendo confiança. Continuei crescendo, aprendendo e sonhando.

A vitória sobre Angelique Kerber coroa uma semana perfeita de Puig no Rio de Janeiro. Longe de ser apontada como uma das candidatas ao título, ela foi passando por cima das previsões e deixando pelos caminhos nomes de peso como Garbiñe Muguruza, 4ª do ranking, nas oitavas, depois a alemã Laura Siegmund (32ª) e a tcheca Petra Kvitova (14ª) até chegar à decisão, na qual também poderia ser apontada como zebra. Mas para quem chegou até ali, o último passo não seria impossível.

Em uma atuação praticamente impecável, ela jogou no embalo da torcida, foi agressiva o tempo todo e, desculpem novamente pelo clichê, fez história no Rio. Aos prantos, a campeã se ajoelhou na quadra e teve o nome gritado pelo público. Assim será daqui para a frente em Porto Rico.

Kerber reconheceu a boa atuação da porto-riquenha, mas se mostrou feliz pela conquista da prata.

- Ela jogou talvez a melhor partida da carreira dela, com certeza, eu não desisti, corri atrás e me entreguei até o último ponto, mas não deu. Disse para mim mesmo que daria tudo para conquistar uma medalha no Rio de Janeiro e é uma honra para mim ganhar essa medalha de prata para o meu país e voltar para a casa com uma láurea. Ela mereceu o título, joguei um bom tênis hoje. Ela veio sem pressão, não tinha nada a perder. É uma grande jogadora, venceu várias jogadoras de ponta nesse torneio. Fez por merecer.

O jogo

A torcida brasileira abraçou Monica Puig desde o início. As bandeiras de Porto Rico estavam espalhadas pela arquibancada. Dentro de quadra, a jovem de 22 anos incorporou o espírito e jogou de igual para igual com Kerber no primeiro set. Se Kerber mostrava potência com a esquerda, Puig respondia com a mesma agressividade, sem medo de errar. As duas trocaram pontos até a alemã dar uma brecha. Era a chance que a porto-riquenha precisava. E ela agarrou. Quando o placar apontava 5/4, Monica quebrou o serviço de Kerber pela segunda vez e fechou o primeiro set, para aumentar ainda mais a esperança da inédita conquista.

Angelique Kerber tênis olimipíada rio 2016 (Foto: REUTERS/Kevin Lamarque)

Mesmo favorita, Kerber não resistiu a boa fase de Puig (Foto: REUTERS/Kevin Lamarque)

Ao fim do primeiro set, Kerber se retirou para o vestiário e lá ficou por cinco minutos. Voltou disposta a restabelecer a ordem e imprimiu um ritmo forte para quebrar o serviço de Monica logo de cara. Chegou a abrir 3/1. Quando estava em apuros, a porto-riquenha também contou com a sorte. A alemã caminhava para mais uma quebra, e a bola de Monica bateu na rede para cair na quadra de Kerber. O lance não desestabilizou a número 2, mas Monica vendia caro cada ponto e tentava se manter próxima no placar.

A torcida jogava junto e empurrava a porto-riquenha, que aproveitou a atmosfera para devolver a quebra e empatar em 5/5. Acabou bobeando na sequência, cometeu uma dupla falta, e a alemã não perdoou, voltando a ficar à frente. Foi fatal. Kerber confirmou o serviço logo depois, fechou em 6/4 e levou a decisão para o terceiro set.

O empate não abalou Monica Puig. A torcida estava sempre lá para lembrá-la de buscar até o fim. Foi o que ela fez. Primeiro ao quebrar o serviço de Kerber logo no segundo game. Depois ao jogar cada ponto como se fosse último - até se jogar na quadra ela fez. Não tinha como escapar. E não escapou. Kerber bem que tentou mudar a história ao salvar um match point com uma bola de sorte na fita da rede. Mas a cada ponto, os gritos de "sí, se puede" cresciam, ganhavam forma, até virarem realidade em um ataque para fora da alemã: 6/1 e ouro para Porto Rico pela primeira vez na história da Olimpíada.

Disputa de terceiro e quarto

O bronze no simples feminino ficou com a República Tcheca. Em 2h13 de partida na quadra 1, Petra Kvitova bateu a norte-americana Madison Keys por 2 sets a 1 e colocou uma medalha no peito. O duelo começou equilibrado, com apenas uma quebra de serviço no set inicial - o que foi suficiente para Petra sair na frente. Madison reagiu na sequência e conseguiu levar a definição para o terceiro set. Mas Petra voltou dominante para a quadra, quebrou o serviço da norte-americana duas vezes e largou com 4/0. A partir daí foi só administrar a vantagem. A ansiedade em fechar o jogo atrapalhou um pouco, tanto que a tcheca chegou a desperdiçar dois match points, mas colocou a cabeça no lugar e definiu a parada em 6/2, num ataque na rede de Madison.Globo

 


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