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PODERIAM INVESTIR EXCESSOS EM OBRAS: "Prefeituras reclamam de falta de recursos, mas gastam fortunas com o São João"

Bahia liderando o desemprego no Brasil no 1º trimestre de 2016 e a população tendo que pagar até R$ 12 pelo quilo do feijão. Só com esses exemplos é possível ter a certeza que quem paga o preço – literalmente – da recessão econômica do país é o povo.

Mas o panorama muda quando o assunto é São João. Mesmo em meio à crise, prefeituras continuam gastando fortunas com dias de comemoração, mesmo após uma recomendação do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), que apelou para o bom senso dos prefeitos e aconselhou a redução dos custos com contratações de bandas e dias de festa.

Apesar de a recessão ter reflexos diretos na arrecadação dos municípios — já que muitos se valem do argumento para atrasar salários ou justificar a falta de melhorias nas cidades — poucos reduziram os festejos em relação a 2015. E o pior, alguns até decidiram por gastar mais em 2016 — ano de eleições municipais. VEJA TUDO EM LEIA MAIS

MP clamou por bom senso

Expedida pela Procuradoria Geral de Justiça, a recomendação para conter custos não surtiu o efeito esperado. De acordo com o promotor do Ministério Público da Bahia, Valmiro Macedo, os promotores ficaram responsáveis por acompanhar os gastos dos municípios.

“No sentido de evitar que gastos exorbitantes fossem realizados, que preços fossem superfaturados e que não tomassem os devidos cuidados na observância da lei que fala dos modos como podem ser contratados os artistas”, explica o promotor de Justiça.

Bonfim vai gastar ao menos R$ 500 mil a mais

Apesar de ter cortado um dia de festa, Senhor do Bonfim é um dos municípios que ignoram a crise quando o assunto é São João. Indo na contramão do momento pelo qual passa o país, a cidade vai gastar pelo menos R$ 1,5 milhão em 2016 — R$ 500 mil a mais em relação ao ano anterior.

Segundo a secretária de Cultura, Carla Lidiane Pereira, só para a contratação de Bruno e Marrone e Victor e Léo, maiores atrações do evento, serão gastos R$ 520 mil. “Temos a expectativa de retorno para a cidade de algo muito superior a esse montante. O investimento é recompensado porque retorna em todos os ramos de serviço: hotelaria, restaurantes...”, disse ao Jornal da Metrópole.

Bonfim paga 6 vezes mais por show igual

Senhor do Bonfim está na mira do MP. Na terça (22), o promotor Rui Gomes Júnior solicitou que a Justiça suspenda o show de Cicinho de Assis, programado para a quinta (23), por suspeita de superfaturamento.

De acordo com o promotor, a Prefeitura pagaria seis vezes mais que o valor da última apresentação do forrozeiro na cidade, mês passado. Caso o pedido seja aprovado pela Justiça e, mesmo assim, a apresentação for mantida, a empresa responsável pelo artista e o prefeito terão de ressarcir os cofres públicos.

Mais de 50 cidades notificadas

De acordo com o Ministério Público do Estado da Bahia, cerca de 50 cidades baianas foram notificadas para que reduzissem os gastos relacionados aos festejos de São João em 2016.

Apesar de a lista ainda estar sendo fechada, ao Jornal da Metrópole o órgão adiantou que compõem a relação os municípios de Ilhéus, Itapetinga, Jequié, Mata de São João e Brumado, além de São Francisco do Conde e Candeias, na Região Metropolitana de Salvador.

Protesto vetou show acima de R$ 500 mil

Em Caruaru, Pernambuco, um show de Wesley Safadão que custaria R$ 575 mil foi cancelado após ação popular. A determinação foi feita pelo juiz José Fernando Santos de Souza, após três advogados da cidade entrarem com uma ação pedindo o cancelamento da apresentação com o argumento de que o gasto traria prejuízos aos cofres públicos do município.

De acordo com a ação, existe a suspeita de superfaturamento, já que o valor pago a Safadão pela prefeitura de Campina Grande seria de R$ 195 mil. A Prefeitura de Caruaru negou as irregularidades e disse que vai recorrer.

SAJ paga valor bem mais alto por show

De acordo com o coordenador do evento em Santo Antônio de Jesus, Tiago Pitari, um decreto interno determinou cortes nos R$ 6 milhões de 2015. “Cortamos 2/3 do orçamento, visto que vão ser quatro dias [de festa]. O prefeito [Humberto Leite] disse que só poderíamos gastar 4/6 em relação ao ano passado e tivemos que fazer um São João mais barato”, afirma.

Mesmo com as adequações, o valor pago somente com as três maiores apresentações não é nada simbólico: R$ 270 mil para Zezé de Camargo e Luciano; R$ 360 mil a Luan Santana e R$ 100 mil a Mano Walter. Só com atrações, o valor chega a R$ 2 milhões. “O São João aquece muito a economia. No ano passado, em todos os dias, foram quase R$ 15 milhões [movimentados] na economia. Ele [prefeito] não faz cortes no São João porque ele sabe que o município precisa disso”, argumenta.

No entanto, chama a atenção o valor pago pelo show do artista Mano Walter. Em fevereiro, uma apresentação do cantor custou à Prefeitura de Floresta (PE) R$ 42,5 mil. Em abril, o governo do estado do Pernambuco bancou um show por R$ 60 mil. E, dois meses depois, Santo Antônio de Jesus paga R$ 100 mil...

“Crise ataca todo mundo”

A Prefeitura de Cruz das Almas informou que o São João “deve custar cerca de R$ 2,2 milhões”, mesmo montante do ano passado. Com cinco dias de festa, a cidade terá shows de Marcos e Belutti e Gigantes do Brasil, mas os cachês não foram divulgados.

Amargosa, por sua vez, cita gastos 20% menores que em 2015. Para a contratação de nomes como Daniel e Gigantes do Brasil, segundo o secretário de Financas, Juanito Aguiar, serão gastos R$ 330 mil. “Procuramos manter a tradição, mas com bandas mais baratas, porque a crise ataca todo mundo”, declarou.

21 atrações canceladas

Segundo a Prefeitura de São Francisco do Conde, atrações de renome nacional foram vetadas. “O prefeito tomou a decisão de reduzir a quantidade de atrações, cancelando a contratação de 21 artistas e bandas com custos elevados”, disse o Município. Apesar do corte, a cidade terá 112 atrações entre as festas de São João e São Pedro. Somente para Cavaleiros do Forró, Estakazero e Tio Barnabé, serão gastos R$ 305 mil. Pré-título, Tvsaj.com.br. Matéria, Metro 1. 


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